Minha Arte

Nasci em uma cidadezinha do interior da Bahia, chamada Livramento de Nossa Senhora. Filho de Maria Lucia Correia Lima e Pedro Cruz Lima, estava com tanta vontade de vir ao mundo que não esperei minha mãe chegar ao único e singelo hospital de Livramento; nasci ali mesmo, na casa simples de adobão e chão batido de terra, na Comunidade  dos Patos. Fui recebido por uma parteira que fez mais de cem partos sem nunca perder uma criança ou uma mãe.

Vivi  bons momentos, feliz com o que tinha: tomei banho no rio, brinquei,  joguei bola, trabalhei na roça. Na minha casa não tinha energia, água encanada nem televisão, mas tinha amor no coração de todos. Minha família é muito musical; aos domingos ia para a casa da minha avó, onde toda a família se reunia para a banda Irmãos Sorriso ensaiar. Eu deixava de brincar para ficar no cantinho ouvindo, e pensava: quero ser cantor.

Ouvi muita música nordestina, Luiz Gonzaga, Zé Ramalho, Caetano, Gilberto Gil, Padre Zezinho, muita música sertaneja, mineira, axé, reggae e samba baiano, entre outros. Fui convidado para vir estudar música em Brasília, e aqui tive contato com a música erudita e popular de várias regiões, como bossa nova, samba, jazz e ópera. Por isso acho que a arte que não é minha, é nossa, com todos as nossas influências. Tento passar com a música as mensagens em que acredito. Sou artista não porque canto ou trabalho com arte, mas porque acredito na arte de viver e em viver em paz.